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Pastor pede para criança doar brinquedo


Fonte: Folha de São Paulo


O blog do bispo Edir Macedo, fundador e líder da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), passou a exibir, como bom exemplo, um vídeo em que um dos seus pastores, Guaracy Santos, titular da unidade de Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, incentiva uma criança de 9 anos a vender os seus brinquedos para doar o dinheiro à entidade. O menino diz que vai dar “tudo que tem” para ajudar os pais, que, segundo ele, não param de brigar. O “religioso”, em vez de tranquilizar o garoto e oferecer ajuda, no entanto, estimula que ele ceda “as suas posses” para colocar no altar, onde a mãe foi “exorcizada”. "Seja fiel, vende o que você tem. Tem fé pra isso? Vai na tua fé", diz Guaracy. Procurada pela Folha, a Iurd não se manifestou sobre o caso.


OAB critica bispo da Universal que incentivou criança a doar brinquedos


O presidente da Comissão de Direitos Infanto-Juvenis da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) em São Paulo, Ricardo Cabezón, criticou o vídeo no qual aparece o bispo Guaracy Santos (foto), da Igreja Universal do Reino de Deus, incentivando um menino de 9 anos a vender seus brinquedos e doar o dinheiro à religião em “sacrifício” para que seus pais parem de brigar.


O rosto do menino aparece coberto por uma imagem opaca, mas, para Cabezón, esse recurso de edição não impede que ele seja identificado.


"A criança deve ser poupada. Se a própria mãe está numa situação de incapacitada, nas mãos de outra pessoa, não se pode pegar uma criança para que ela explique o que está se passando", disse.


A mãe estava sendo submetida a uma sessão de exorcismo, na qual Santos envolveu o menino.


O vídeo foi reproduzido pelo blog do bispo Edir Macedo e ali centenas de fiéis elogiam o exemplo do menino. Procurado pela reportagem da Folha, o fundador da Universal não tinha se manifestado até ontem à noite.


“É uma situação de manipulação”, disse Roberta Densa, advogada que dá aulas sobre o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente. Para ela, Silva se aproveitou da condição “vulnerável” da criança.


João Santo Carcan, vice-presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, disse que a Igreja Universal deveria ter encaminhado o menino a uma entidade pública de assistência social, até que se resolvessem as desavenças entre os seus pais, e não submetê-lo ao constrangimento.


“Ali tratam a criança como instrumento de receita", afirmou.